sábado, 26 de julho de 2014

O saldo de 42 anos de desastres naturais é de assustar

De 1970 a 2012, 8.835 desastres naturais provocaram 1,94 milhão de mortes e danos econômicos de 2,3 trilhões de dólares em todo o mundo, quase um Brasil em PIB


Mulher com criança no colo chora suas perdas após passagem no tufão Haiyan em Tacloban, em 2013
Mulher com um bebê no colo chora em meio a devastação de uma área atingida por Haiyan
São Paulo – Não, as mudanças climáticas não são um problema futuro. Secas, enchentes, furacões, incêndios e temperaturas extremas estão em ascensão em todo o mundo, causando perda de vidas e atrasando o desenvolvimento econômico e social por anos, se não décadas. Os números estão aí para provar.

De 1970 a 2012, 8.835 desastres naturais causaram cerca de 1,94 milhão de mortes e danos econômicos de 2,3 trilhões de dólares globalmente, quase um Brasil em PIB, aponta um novo estudo da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
O Atlas de Mortalidade e Perdas Econômicas ligadas a extremos do clima e desastres relacionados à água descreve a distribuição e os impactos das catástrofes naturais ao longo de quatro décadas.

Efeitos reais

Tempestades e inundações foram responsáveis por 79% do número total de desastres, causando 55% das mortes e 86% de perdas econômicas no período, de acordo com o Atlas.
Já as secas causaram 35% das mortes, principalmente devido às severas secas africanas de 1975 e 1983-1984.
O relatório destacou a importância de informações históricas georreferenciadas sobre mortes e danos para estimar os riscos antes de ocorrer o próximo desastre.
Essas informações podem apoiar decisões práticas na redução dos impactos, a partir, por exemplo, da melhoria dos sistemas de alerta precoces, do reforço da infraestrutura para situações críticas ou da reformulação das regras para novas construções.
O Atlas também fornece detalhes sobre as catástrofes a nível regional.

África: de 1970 a 2012, 1.319 desastres registrados causaram a perda de 698.380 vidas e prejuízos econômicos de 26,6 bilhões de dólares.
Embora as inundações tenham sido o tipo mais recorrente de desastre (61%), as secas levaram ao maior número de mortes.
Getty Images
Seca na Somália
 
Ásia: cerca de 2.681 desastres foram registrados no período de 1970 a 2012, causando a perda de 915.389 vidas e prejuízos econômicos de 789 bilhões de dólares.
A maioria destes desastres foram atribuídos a inundações (45%) e tempestades (35%).
Apesar da menor ocorrência, as tempestades fizeram o maior número de mortos (76 %) enquanto inundações causaram a maior perda econômica (60 %).
REUTERS/Erik De Castro
Crianças atravessam enchente nas Filipinas
 
América do Sul: de 1970 a 2012, 696 desastres resultaram em 54.995 vidas perdidas e 71,8 bilhões de dólares em prejuízos econômicos.
No que diz respeito aos impactos, as inundações causaram a maior perda dos óbitos (80%) e as maiores perdas econômicas (64%).
O evento mais significativo no período foi a inundação e deslizamento de terra que ocorreu na Venezuela no final de 1999 e causou 30.000 mortes.
Lunae Parracho / Greenpeace
Moradores desabrigados pela cheia em Porto Velho
 
América do Norte, América Central e Caribe: foram 631 desastres que causaram a perda de 71.246 vidas e prejuízos econômicos somados de 1 trilhão de dólares. A maioria dos desastres registrados nestas regiões foi atribuída a  tempestades (55%) e inundações (30%).
Getty Images
Destruição causada nos EUA pelo furacão Katrina
 
Sudoeste do Pacífico: a região registrou 156 desastres no período entre 1970 a 2012, que resultaram em 54.684 mortes e 118,4 bilhões de dólares em perdas econômicas. Tempestades respondem por 46% dos danos e inundações por 38%.
Country Fire Authority (CFA)/ Distribuído via Reuters
Helicóptero despeja água em incêndio nos Montes Granpians, uma região turística popular a noroeste de Melbourne, no estado de Victoria, em 17 de janeiro de 2014
 
Europa: 352 desastres registrados ceifaram 149.959 vidas e causaram 375,7 bilhões de dólares em prejuízos econômicos. Inundações (38%) e tempestades (30%) foram os desastres mais relatados, mas temperaturas extremas levaram à maior proporção de óbitos (94%).
Ao todo, 72.210 pessoas morreram durante a onda de calor infernal que atingiu a Europa em 2003 e outras 55.736 foram a óbito durante a onda de calor de 2010 na Rússia.

GettyImages
Enchente na Europa central, em 4 de junho de 2013
 
fonte:http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/o-saldo-de-42-anos-de-catastrofes-naturais-e-de-assustar

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